Dezembro02, 2006.
E-mail de WCW, vulgo Terça Nobre. Na Inglaterra, lavando privadas. Conheceu uma vietnamita, diz que vão se casar. Ela é engenheira, servindo mesas e lavando privadas em Londres. As exigências do mundo globalizado. A crescente necessidade de especialização. Fez uma performance particular pra ela como Terça Nobre. Ela entendeu tudo certo. O sacana diz que ela chupa quase tão bem quanto eu.
Bateu uma bruta saudade. Não de chupá-lo, bem entendido. As pessoas vão embora. A gente pensa nelas. Pensa de um jeito como não eram. Sempre parecem bem melhores ou bem piores. Assim, na cabeça da gente.
WCW, na Inglaterra, lavando privadas, conhece uma engenheira vietnamita. Como foi isso? Ela lavava a privada vizinha? Cada um com um braço enfiado na merda e sorrindo. Como flertar nessas condições? Estenderam as mãos ao se apresentarem? Correndo juntos da Imigração. Um salvando a pele do outro. Juntando trocados, fazendo planos. Se apaixonando.
Saudades de alguém que ainda não conheci. Vontade de conhecer alguém. Por que ninguém se joga de um prédio da Paulista e cai em cima de mim? Cabelos curtos, seios grandes, disposta a tudo ou pelo menos a isto: nós duas, estateladas na calçada. Ela sobre mim, eu sobre ela.
Ruiva?
Amor também é suicídio. Ou pode começar com a tentativa de um.
Posted by augustaso at 10:19.
Novembro09, 2006.
Ele merecia isso. Ele não merecia aquilo. Combinamos um almoço. Me disse coisas horríveis. Todas verdadeiras. Fiquei calada, ouvindo. Que mais podia fazer? Certo, certo. Quando ele se cansou afinal e o trânsito na Frei Caneca deu um tempo, e parou de trovejar, eu respirei fundo e disse pra ele o que devia ter dito logo no começo, até pra impedir que um pau floresça em mim no exato instante da minha morte: “Desculpa, William. Nada contra você. Você é um sujeito bacana e direito. Mas eu gosto mesmo é de mulher”.
E ele sorriu. E eu sorri. E almoçamos em paz.
Tolerância é isso. Poder almoçar em paz com um sujeito que se diz apaixonado por você depois de você contar pra ele que gosta mesmo é de mulher. Ele nem me perguntou mais nada. Nem pareceu chateado. Contou três ou quatro piadas de sapatão. Engraçadas, consegui rir de todas elas. Cecília se revirando na tumba.
Ora, é preciso tolerância.
Posted by augustaso at 15:39.
Ele merecia isso. Ele não merecia aquilo. Combinamos um almoço. Me disse coisas horríveis. Todas verdadeiras. Fiquei calada, ouvindo. Que mais podia fazer? Certo, certo. Quando ele se cansou afinal e o trânsito na Frei Caneca deu um tempo, e parou de trovejar, eu respirei fundo e disse pra ele o que devia ter dito logo no começo, até pra impedir que um pau floresça em mim no exato instante da minha morte: “Desculpa, William. Nada contra você. Você é um sujeito bacana e direito. Mas eu gosto mesmo é de mulher”.
E ele sorriu. E eu sorri. E almoçamos em paz.
Tolerância é isso. Poder almoçar em paz com um sujeito que se diz apaixonado por você depois de você contar pra ele que gosta mesmo é de mulher. Ele nem me perguntou mais nada. Nem pareceu chateado. Contou três ou quatro piadas de sapatão. Engraçadas, consegui rir de todas elas. Cecília se revirando na tumba.
Ora, é preciso tolerância.
Posted by augustaso at 15:39.
Novembro05, 2006.
Cecília veio falar comigo num sonho. Disse, numa língua estrangeira que não entendo (o sonho era legendado), disse que só queria se despedir e me dar um conselho. Abriu a capa de chuva. Nua, como eu previra. Mas com um pau.
“Depois que morremos”, ela me disse, “ficamos assim”.
Horrorizada, perguntei: “Mas como?...”.
Cecília me explicou: “Ganhamos aquilo que mais odiávamos em vida. Na verdade, nós nos tornamos aquilo que mais odiávamos”.
Cecília, uma dyke radicalíssima, incapaz de achar um homem, qualquer homem, interessante, viu surgir em si, no exato instante de sua morte, no exato instante em que nascia para a morte, um enorme caralho.
“Mas vi homofóbicos sendo enrabados por batalhões”, sorriu.
Antes de desaparecer, e de eu acordar, ela disse: “Cuidado com o que você odeia”.
Acordei perturbadíssima e, de imediato, liguei pra WCW: “Vem aqui agora”. Mal ele entrou no quarto, mandei que tirasse toda a roupa e abocanhei seu pau. Minha penitência foi um boquete que se prolongou, ininterruptamente, por dezenove minutos.
É isso aí: eu, uma dyke, escovando o siso por dezenove longos minutos.
Até que eu me enchi, ele ainda não tinha gozado, segurava, o filho de uma puta, e mandei que ele desse o fora.
Foi, mas sob protestos.
Posted by augustaso at 00:59.
Cecília veio falar comigo num sonho. Disse, numa língua estrangeira que não entendo (o sonho era legendado), disse que só queria se despedir e me dar um conselho. Abriu a capa de chuva. Nua, como eu previra. Mas com um pau.
“Depois que morremos”, ela me disse, “ficamos assim”.
Horrorizada, perguntei: “Mas como?...”.
Cecília me explicou: “Ganhamos aquilo que mais odiávamos em vida. Na verdade, nós nos tornamos aquilo que mais odiávamos”.
Cecília, uma dyke radicalíssima, incapaz de achar um homem, qualquer homem, interessante, viu surgir em si, no exato instante de sua morte, no exato instante em que nascia para a morte, um enorme caralho.
“Mas vi homofóbicos sendo enrabados por batalhões”, sorriu.
Antes de desaparecer, e de eu acordar, ela disse: “Cuidado com o que você odeia”.
Acordei perturbadíssima e, de imediato, liguei pra WCW: “Vem aqui agora”. Mal ele entrou no quarto, mandei que tirasse toda a roupa e abocanhei seu pau. Minha penitência foi um boquete que se prolongou, ininterruptamente, por dezenove minutos.
É isso aí: eu, uma dyke, escovando o siso por dezenove longos minutos.
Até que eu me enchi, ele ainda não tinha gozado, segurava, o filho de uma puta, e mandei que ele desse o fora.
Foi, mas sob protestos.
Posted by augustaso at 00:59.
Novembro01, 2006.
Vendo fantasmas. Cecília. Na fila do supermercado, hoje de manhã. Em plena Paulista, na hora do almoço. Perto do meu prédio, agora há pouco. Capa de chuva. Nua por baixo. Por completo. Tenho medo de que ela venha falar comigo. Tenho medo de que ela não venha falar comigo.
WCW me ligando de meia em meia hora. Não atendo. Tenho mais o que fazer.
Um fantasma pra cuidar. Porra.
Posted by augustaso at 21:09.
Vendo fantasmas. Cecília. Na fila do supermercado, hoje de manhã. Em plena Paulista, na hora do almoço. Perto do meu prédio, agora há pouco. Capa de chuva. Nua por baixo. Por completo. Tenho medo de que ela venha falar comigo. Tenho medo de que ela não venha falar comigo.
WCW me ligando de meia em meia hora. Não atendo. Tenho mais o que fazer.
Um fantasma pra cuidar. Porra.
Posted by augustaso at 21:09.
Outubro31, 2006.
WCW: Que merda.
EU: Ô.
WCW: Me desculpa.
EU: Esquece.
WCW: Ele é mesmo um filho da puta.
EU: Lá isso ele é.
WCW: Deu vontade de socar ele.
EU: Por que não socou?
WCW: ...Sei lá. Mas... e agora?
EU: Agora o quê? Você não depende deles.
WCW: Sim, mas... e nós dois?
EU: Que “nós dois”?
WCW: Tô gostando de você.
EU: Seja forte.
WCW: É sério.
EU: Sempre é.
WCW: Como é que?...
EU: William, prestatenção: não rola.
WCW: Mas já rolou.
EU: Vou indo.
WCW: Termina a cerveja.
EU: Termina você.
WCW: Não precisa ir desse jeito.
EU: Hoje fui chamada de puta, e agora uma drag está dizendo que me ama. Algo me diz pra ir pra casa.
WCW: Eu não disse que te amo.
EU: Não ama?
WCW: Não sei. Amo. Mas não disse.
EU: Acabou de dizer.
WCW: Você me forçou.
EU: E você me forçou a chupar seu pau.
WCW: Não é verdade. Retira isso.
EU: Tá, não é verdade. Você não me forçou a chupar seu pau.
WCW: Então fica.
EU: Se você ficar calado.
WCW: Certo.
EU: Seu pai é um filho da puta.
WCW: Certo.
EU: Puta merda.
WCW: Certo.
EU: Vamos só ficar aqui.
WCW: Certo.
EU: Calados.
WCW: Certo.
EU: Esperando a raiva passar.
WCW: Certo.
Caí no choro. Ali mesmo, no Ibotirama. Não sei o quê. Mas caí. Ou melhor, eu sei, sim. WCW calado, me olhando aflito, sem saber o que fazer. Fui me encolhendo na cadeira, ele provavelmente achando que por causa dos pais dele e da visita desastrosa, mas não. O que foi, é que, no exato instante em que WCW dizia o último dos “certo” dele, eu olhei pro outro lado da rua e vi a Cecília.
Cecília, com a capa de chuva verde-escura dela, a que ela mais usava e com a qual saía mesmo quando não estava chovendo, elegantíssima, comprada em Dublin num 16 de junho, e ela tirava toda a roupa e depois vestia a capa, só a capa e mais nada, e me dizia: “Molly, ao seu dispor”.
Eu vi Cecília, do outro lado da rua, com sua capa de chuva, mas não era Cecília, Cecília morreu, não era ninguém, não tinha ninguém lá do outro lado da rua, ninguém, absolutamente ninguém, não, não era Cecília, e eu caí no choro, simplesmente caí no choro.
WCW foi comigo até em casa e me deitou na cama, eu pedi a ele que me deixasse sozinha. Ele fez de conta que ia embora, mas ficou na sala. Passou a noite em claro, entre a sala e o meu quarto. Aí eu entendi: ele me ama de verdade, e me senti péssima com a idéia. Não rola, simplesmente não rola.
Molly Bloom is dead.
Mas não queria soar assim tão ridícula. Que diabo.
Posted by augustaso at 23:19.
WCW: Que merda.
EU: Ô.
WCW: Me desculpa.
EU: Esquece.
WCW: Ele é mesmo um filho da puta.
EU: Lá isso ele é.
WCW: Deu vontade de socar ele.
EU: Por que não socou?
WCW: ...Sei lá. Mas... e agora?
EU: Agora o quê? Você não depende deles.
WCW: Sim, mas... e nós dois?
EU: Que “nós dois”?
WCW: Tô gostando de você.
EU: Seja forte.
WCW: É sério.
EU: Sempre é.
WCW: Como é que?...
EU: William, prestatenção: não rola.
WCW: Mas já rolou.
EU: Vou indo.
WCW: Termina a cerveja.
EU: Termina você.
WCW: Não precisa ir desse jeito.
EU: Hoje fui chamada de puta, e agora uma drag está dizendo que me ama. Algo me diz pra ir pra casa.
WCW: Eu não disse que te amo.
EU: Não ama?
WCW: Não sei. Amo. Mas não disse.
EU: Acabou de dizer.
WCW: Você me forçou.
EU: E você me forçou a chupar seu pau.
WCW: Não é verdade. Retira isso.
EU: Tá, não é verdade. Você não me forçou a chupar seu pau.
WCW: Então fica.
EU: Se você ficar calado.
WCW: Certo.
EU: Seu pai é um filho da puta.
WCW: Certo.
EU: Puta merda.
WCW: Certo.
EU: Vamos só ficar aqui.
WCW: Certo.
EU: Calados.
WCW: Certo.
EU: Esperando a raiva passar.
WCW: Certo.
Caí no choro. Ali mesmo, no Ibotirama. Não sei o quê. Mas caí. Ou melhor, eu sei, sim. WCW calado, me olhando aflito, sem saber o que fazer. Fui me encolhendo na cadeira, ele provavelmente achando que por causa dos pais dele e da visita desastrosa, mas não. O que foi, é que, no exato instante em que WCW dizia o último dos “certo” dele, eu olhei pro outro lado da rua e vi a Cecília.
Cecília, com a capa de chuva verde-escura dela, a que ela mais usava e com a qual saía mesmo quando não estava chovendo, elegantíssima, comprada em Dublin num 16 de junho, e ela tirava toda a roupa e depois vestia a capa, só a capa e mais nada, e me dizia: “Molly, ao seu dispor”.
Eu vi Cecília, do outro lado da rua, com sua capa de chuva, mas não era Cecília, Cecília morreu, não era ninguém, não tinha ninguém lá do outro lado da rua, ninguém, absolutamente ninguém, não, não era Cecília, e eu caí no choro, simplesmente caí no choro.
WCW foi comigo até em casa e me deitou na cama, eu pedi a ele que me deixasse sozinha. Ele fez de conta que ia embora, mas ficou na sala. Passou a noite em claro, entre a sala e o meu quarto. Aí eu entendi: ele me ama de verdade, e me senti péssima com a idéia. Não rola, simplesmente não rola.
Molly Bloom is dead.
Mas não queria soar assim tão ridícula. Que diabo.
Posted by augustaso at 23:19.
Outubro29, 2006.
Na rua Doutor Franco da Rocha, em Perdizes, e eu não sei como aceitei fazer isso. Ele me dizendo, não com essas palavras, mas algo como papai não fala mais comigo e mamãe diz que reza todos os dias e eu nem sou veado.
“Você não é meu namorado”, eu disse pra ele.
“Eu sei”, ele respondeu. “Mas se você for lá comigo, eles param de me encher, sabe?”.
Sei.
O pai dele, bancário aposentado, e a mãe dele, professora de escola particular aposentada, e, enfim, o clima horrível quando chegamos, na certa me acharam velha, mas tudo bem, eu também achei eles velhos. Sentados na sala de estar olhando uns para as caras dos outros, e o interrogatório básico:
PERGUNTA: Você trabalha?
RESPOSTA IDEAL: É claro que eu trabalho, porra, o que vocês pensam que eu sou?
RESPOSTA REAL: Sim, eu trabalho em uma produtora de filmes.
PERGUNTA: De filmes? Que tipo de filmes?
RESPOSTA IDEAL: Como que tipo de filmes? Pornôs, ué. De nível cinco! Mulheres com cachorros, rapazes com cavalos. Seu filho está se preparando pra estrelar um filme, ele e um pônei.
RESPOSTA REAL: Publicitários e empresariais. Estamos começando agora a investir em cinema.
PERGUNTA: Cinema brasileiro só tem sacanagem, não?
RESPOSTA IDEAL: Sim, graças a Deus.
RESPOSTA REAL: Temo que não seja verdade, senhor.
PERGUNTA: Quantos anos você tem?
RESPOSTA IDEAL: Não é da sua conta, filha de uma vaca.
RESPOSTA REAL: Trinta e seis, senhora. Completo trinta e sete em janeiro.
PERGUNTA: Nunca foi casada?
RESPOSTA IDEAL: Sim, por dezoito anos, com outra mulher.
RESPOSTA REAL: Não, senhor. Ainda não encontrei a pessoa certa.
PERGUNTA: Por que se veste como uma prostituta?
RESPOSTA IDEAL: Vá se danar, seu fascista filho da mãe.
RESPOSTA REAL: Vá se foder, seu fascista filho de uma puta sifilítica.
A mãe dele tinha feito o almoço. Uma pena. O estrogonofe estava cheirando bem.
Posted by augustaso at 19:27.
Na rua Doutor Franco da Rocha, em Perdizes, e eu não sei como aceitei fazer isso. Ele me dizendo, não com essas palavras, mas algo como papai não fala mais comigo e mamãe diz que reza todos os dias e eu nem sou veado.
“Você não é meu namorado”, eu disse pra ele.
“Eu sei”, ele respondeu. “Mas se você for lá comigo, eles param de me encher, sabe?”.
Sei.
O pai dele, bancário aposentado, e a mãe dele, professora de escola particular aposentada, e, enfim, o clima horrível quando chegamos, na certa me acharam velha, mas tudo bem, eu também achei eles velhos. Sentados na sala de estar olhando uns para as caras dos outros, e o interrogatório básico:
PERGUNTA: Você trabalha?
RESPOSTA IDEAL: É claro que eu trabalho, porra, o que vocês pensam que eu sou?
RESPOSTA REAL: Sim, eu trabalho em uma produtora de filmes.
PERGUNTA: De filmes? Que tipo de filmes?
RESPOSTA IDEAL: Como que tipo de filmes? Pornôs, ué. De nível cinco! Mulheres com cachorros, rapazes com cavalos. Seu filho está se preparando pra estrelar um filme, ele e um pônei.
RESPOSTA REAL: Publicitários e empresariais. Estamos começando agora a investir em cinema.
PERGUNTA: Cinema brasileiro só tem sacanagem, não?
RESPOSTA IDEAL: Sim, graças a Deus.
RESPOSTA REAL: Temo que não seja verdade, senhor.
PERGUNTA: Quantos anos você tem?
RESPOSTA IDEAL: Não é da sua conta, filha de uma vaca.
RESPOSTA REAL: Trinta e seis, senhora. Completo trinta e sete em janeiro.
PERGUNTA: Nunca foi casada?
RESPOSTA IDEAL: Sim, por dezoito anos, com outra mulher.
RESPOSTA REAL: Não, senhor. Ainda não encontrei a pessoa certa.
PERGUNTA: Por que se veste como uma prostituta?
RESPOSTA IDEAL: Vá se danar, seu fascista filho da mãe.
RESPOSTA REAL: Vá se foder, seu fascista filho de uma puta sifilítica.
A mãe dele tinha feito o almoço. Uma pena. O estrogonofe estava cheirando bem.
Posted by augustaso at 19:27.
Outubro28, 2006.
Ontem, por curiosidade, e porque ele insistiu muito, mas muito mesmo, ontem eu chupei o pau de William Carlos William.
Não.
Não o de William Carlos William, mas o da drag Terça Nobre.
Disse a WCW: “Quer tanto que eu faça, tudo bem, eu faço. Mas, antes, vista-se a caráter”.
Vestiu-se.
Algo como chupar um cotovelo. Ou um queixo. Eu acho. Nenhuma resposta fisiológica ou afetiva da minha parte. Para o bem ou para o mal. Quero dizer, não vomitei, mas também não me apaixonei ou fiquei com tesão.
Posted by augustaso at 11:09.
Ontem, por curiosidade, e porque ele insistiu muito, mas muito mesmo, ontem eu chupei o pau de William Carlos William.
Não.
Não o de William Carlos William, mas o da drag Terça Nobre.
Disse a WCW: “Quer tanto que eu faça, tudo bem, eu faço. Mas, antes, vista-se a caráter”.
Vestiu-se.
Algo como chupar um cotovelo. Ou um queixo. Eu acho. Nenhuma resposta fisiológica ou afetiva da minha parte. Para o bem ou para o mal. Quero dizer, não vomitei, mas também não me apaixonei ou fiquei com tesão.
Posted by augustaso at 11:09.
Outubro22, 2006.
O nome dele é William Carlos William, quase como o poeta. Ele é mesmo hetero. Mesmo com todo esse lance de Terça Nobre. Mesmo com todo esse lance de drag queen. Ganha a vida revisando monografias, dissertações e teses. Ele me disse que conhece uma pá de drags que não são gays. Eu sabia que isso existia. Em São Paulo, sempre pensei, existe de quase tudo. E na rua Augusta, bem, lá existe de tudo.
Ele me ligou ontem de manhã no trabalho. Disse que queria cozinhar pra mim. Trouxe tudo o que precisava pra fazer e fez uma macarronada deliciosa. E depois conversamos bastante. Contei pra ele toda a minha história. Falei de Cecília e da doença e da morte dela, chorei, ele me consolou, ficamos um tempão abraçados, e depois eu coloquei um CD da Elza Soares que Cecília adorava, e dançamos abraçados por não sei quanto tempo.
Não transamos. Não fomos até o fim, pelo menos.
Mas fomos pro quarto e eu pedi a ele que tirasse a roupa. Meia garrafa de vinho, mas não estávamos bêbados. Eu só queria ver. Entender. Sei lá. Me sentia bem. Depois de muito tempo, me sentia bem. E a nudez dele ali, na minha frente, me dava uma alegria tremenda. Inexplicável. Pedi pra ele se masturbar. Estava excitado, nunca tinha brincado assim. “Nem eu”, disse a ele, e rimos os dois. Tirei a calça, estava sem roupa de baixo. Foi o suficiente. De pé na cama, um arco do triunfo sobre mim. Depois, pediu que me deixasse ser chupada. Consenti e fui coordenando, assim, assado. Gianfrancesco pedalando a toda, já falei sobre isso? Outro dia, quem sabe.
Depois, ficamos os dois deitados na cama, lado a lado.
Um casal de irmãos, rindo sem motivo algum.
Posted by augustaso at 01:29.
O nome dele é William Carlos William, quase como o poeta. Ele é mesmo hetero. Mesmo com todo esse lance de Terça Nobre. Mesmo com todo esse lance de drag queen. Ganha a vida revisando monografias, dissertações e teses. Ele me disse que conhece uma pá de drags que não são gays. Eu sabia que isso existia. Em São Paulo, sempre pensei, existe de quase tudo. E na rua Augusta, bem, lá existe de tudo.
Ele me ligou ontem de manhã no trabalho. Disse que queria cozinhar pra mim. Trouxe tudo o que precisava pra fazer e fez uma macarronada deliciosa. E depois conversamos bastante. Contei pra ele toda a minha história. Falei de Cecília e da doença e da morte dela, chorei, ele me consolou, ficamos um tempão abraçados, e depois eu coloquei um CD da Elza Soares que Cecília adorava, e dançamos abraçados por não sei quanto tempo.
Não transamos. Não fomos até o fim, pelo menos.
Mas fomos pro quarto e eu pedi a ele que tirasse a roupa. Meia garrafa de vinho, mas não estávamos bêbados. Eu só queria ver. Entender. Sei lá. Me sentia bem. Depois de muito tempo, me sentia bem. E a nudez dele ali, na minha frente, me dava uma alegria tremenda. Inexplicável. Pedi pra ele se masturbar. Estava excitado, nunca tinha brincado assim. “Nem eu”, disse a ele, e rimos os dois. Tirei a calça, estava sem roupa de baixo. Foi o suficiente. De pé na cama, um arco do triunfo sobre mim. Depois, pediu que me deixasse ser chupada. Consenti e fui coordenando, assim, assado. Gianfrancesco pedalando a toda, já falei sobre isso? Outro dia, quem sabe.
Depois, ficamos os dois deitados na cama, lado a lado.
Um casal de irmãos, rindo sem motivo algum.
Posted by augustaso at 01:29.
Outubro19, 2006.
Eu não queria ter saído ontem, mas acabei saindo. A chance de reencontrar as amigas da Cecília, nossas amigas, sempre me chateia. São Paulo está cada vez menor, um saco. Como se encolhesse mesmo, feito uma peça de roupa de terceira. Mas não é que eu desgoste delas, das nossas amigas. Não, caramba. O foda são as lembranças e perguntas e aquelas caras de preocupadas porque todas elas prometeram pra Cecília que iam “cuidar” de mim. De mim! Porra, eu cuidei da Cecília o tempo todo, mesmo antes de ela ficar doente e, droga. Que saco. Fora as que me olham daqueles jeitos estranhos porque só se passaram seis meses e não sei mais o quê. Certo, tenho que vegetar em casa e me estripar dia após dia após dia, a viuvinha desengraçada.
Que todo mundo se foda. Sério mesmo. Todo mundo.
Ninguém lê essa merda de blog mesmo.
Então, ontem, apesar de tudo, eu saí. Foi um lance estranhíssimo. Eu tomei banho, escolhi uma roupa, me arrumei e saí sem perceber que fazia tudo isso. Tudo no automático, um troço bizarro, e quando dei por mim já estava no elevador. Não tinha planejado nada, não tinha combinado sair com ninguém, daí que fiquei rindo feito uma doida no elevador. Rindo de mim, e depois, no carro, o carro que “herdei” dela, caí no choro. Vai entender.
Preciso vender esse carro. O mais rápido possível.
Parei numa lojinha de conveniência de posto de gasolina, comprei umas cervejas e fiquei zanzando pelos Jardins, fui até a Vila Madalena e depois baixei na Augusta. Por sorte, nenhuma conhecida. Não sei como, porque já tinha tomado umas cinco cervejas, mais um trago de bourbon quando afinal estacionei e desci do carro e fui ao Charme ver qual era, e não era nenhuma, o lugar quase vazio, enfim, não sei como, já seriamente chapada, fui parar numa boatezinha minúscula, o tipo de ambiente tão facilmente encontrável por ali, sem placa, sem letreiro, só uma porta e uma escada e outra porta lá na frente, e lá dentro estava rolando uma espécie de show de drags, um troço que mais parecia uma convenção delas. Elas subiam num palco improvisado, o lugar estava lotado (não, nenhuma conhecida), e faziam performances. Pelo que eu entendi, podia tudo. Algumas cantavam, outras falavam, havia as que dançavam e as que contavam piadas. A melhor foi uma drag chamada Terça Nobre. Ela subiu no palco, e a primeira coisa que disse foi: “Pode não parecer, mas eu sou hetero”. A galera dando trelas de rir, e eu virando doses e mais doses de Bourbon e rindo mais do que todo mundo, uma beleza.
Depois, eu só me lembro de estar sentada ao balcão, flertando com a bartender, uma cearense de Sobral que era a cara da Maria Bethânia, e eu sempre morri de tesão pela Maria Bethânia, no duro, e fiquei perguntando coisas sobre a cidade dela, mas tão bêbada que arruinei qualquer chance de, finalmente, trepar com ela, a grande Maria Bethânia, encarnada ali naquela bartender.
A lembrança seguinte envolve Terça Nobre, a drag piadista, nós duas na rua, encostadas no meu carro, a Haddock sempre meio escura e deserta, ela ainda vestida a caráter, por assim dizer, e me beijando violentamente. Um peito meu estava pra fora da blusa, eu olhei pra isso, um peito solto no mundo, achei engraçado pacas, até perceber que aquele peito era meu, e então Terça Nobre se abaixou e começou a me chupar e no meio de todo aquele porre, caramba, eu senti tesão. Volta e meia eu empurrava Terça Nobre pro lado e vomitava na calçada. Ela limpava a minha boca com uma toalha saída sabe-se lá de onde.
Eu ficava falando qualquer coisa sobre ter de vender o carro, acho que cheguei a oferecê-lo pra Terça, que riu e agradeceu, mas não, não quis comprar, e, então, branco total.
Certo.
Deixe-me, agora, compartilhar com vocês esse momento sublime. É meio-dia. Eu (acho que) devia estar trabalhando. Mas não. Eu não estou trabalhando. Estou na minha cama, despertando. Uma enorme dor de cabeça. Como se tivessem aberto uma gaveta na minha testa, enchido essa gaveta com ferraduras, porcas, chaves de fenda, parafusos, rádios de pilha estragados, aparelhos de telefone detonados, e então fechado essa gaveta com toda a força, sabe? E, a todo momento, alguém abre essa gaveta à procura de alguma coisa que fatalmente não encontra e, não encontrando, volta a fechar a gaveta com toda a força. Abre, fecha. Na minha testa. Bem no meio. Então, noto a presença ao meu lado. A presença parece dormir. A presença está nua. A presença tem a maquiagem toda borrada. A presença tem um... pau. E o pau da presença está... duro. E eu me lembro. Não de tudo. Flashes.
Eu e a presença encostadas no meu carro, atracadas. Eu e a presença dentro do meu carro, a presença dirigindo e tentando entender onde eu dizia que morava e como chegar lá. Eu e a presença no elevador do meu prédio, atracadas. Eu e a presença na sala do meu apartamento, atracadas. Eu agarrada à privada, vomitando. Eu debaixo do chuveiro aberto, sendo apoiada pela presença. A presença me enxugando e depois me beijando outra vez a boca e os peitos. Eu segurando e rindo para o pau da presença, dizendo qualquer coisa como “Isso nunca foi a minha praia, sabe?”. Eu sendo chupada pela presença e, sim, gozando. Eu masturbando a presença mas me recusando terminantemente a abocanhar o pau dela. A presença, com todo o cuidado, me penetrando, dizendo “Não vai ser tão ruim, você vai ver”.
E só.
Terça Nobre, a presença, acorda logo em seguida e me procura. Quem sai na chuva etc. e tal. E, caramba, já que chegamos até aqui. E, caramba, eu preciso saber. E, caramba, me toca como se eu fosse desmanchar. “Só não me pede pra eu te chupar”, eu digo. E ela (ou ele) não pede. Terça Nobre, a presença, não pede.
Preciso vender o carro. O mais rápido possível. Sem condições.
Posted by augustaso at 16:39.
Eu não queria ter saído ontem, mas acabei saindo. A chance de reencontrar as amigas da Cecília, nossas amigas, sempre me chateia. São Paulo está cada vez menor, um saco. Como se encolhesse mesmo, feito uma peça de roupa de terceira. Mas não é que eu desgoste delas, das nossas amigas. Não, caramba. O foda são as lembranças e perguntas e aquelas caras de preocupadas porque todas elas prometeram pra Cecília que iam “cuidar” de mim. De mim! Porra, eu cuidei da Cecília o tempo todo, mesmo antes de ela ficar doente e, droga. Que saco. Fora as que me olham daqueles jeitos estranhos porque só se passaram seis meses e não sei mais o quê. Certo, tenho que vegetar em casa e me estripar dia após dia após dia, a viuvinha desengraçada.
Que todo mundo se foda. Sério mesmo. Todo mundo.
Ninguém lê essa merda de blog mesmo.
Então, ontem, apesar de tudo, eu saí. Foi um lance estranhíssimo. Eu tomei banho, escolhi uma roupa, me arrumei e saí sem perceber que fazia tudo isso. Tudo no automático, um troço bizarro, e quando dei por mim já estava no elevador. Não tinha planejado nada, não tinha combinado sair com ninguém, daí que fiquei rindo feito uma doida no elevador. Rindo de mim, e depois, no carro, o carro que “herdei” dela, caí no choro. Vai entender.
Preciso vender esse carro. O mais rápido possível.
Parei numa lojinha de conveniência de posto de gasolina, comprei umas cervejas e fiquei zanzando pelos Jardins, fui até a Vila Madalena e depois baixei na Augusta. Por sorte, nenhuma conhecida. Não sei como, porque já tinha tomado umas cinco cervejas, mais um trago de bourbon quando afinal estacionei e desci do carro e fui ao Charme ver qual era, e não era nenhuma, o lugar quase vazio, enfim, não sei como, já seriamente chapada, fui parar numa boatezinha minúscula, o tipo de ambiente tão facilmente encontrável por ali, sem placa, sem letreiro, só uma porta e uma escada e outra porta lá na frente, e lá dentro estava rolando uma espécie de show de drags, um troço que mais parecia uma convenção delas. Elas subiam num palco improvisado, o lugar estava lotado (não, nenhuma conhecida), e faziam performances. Pelo que eu entendi, podia tudo. Algumas cantavam, outras falavam, havia as que dançavam e as que contavam piadas. A melhor foi uma drag chamada Terça Nobre. Ela subiu no palco, e a primeira coisa que disse foi: “Pode não parecer, mas eu sou hetero”. A galera dando trelas de rir, e eu virando doses e mais doses de Bourbon e rindo mais do que todo mundo, uma beleza.
Depois, eu só me lembro de estar sentada ao balcão, flertando com a bartender, uma cearense de Sobral que era a cara da Maria Bethânia, e eu sempre morri de tesão pela Maria Bethânia, no duro, e fiquei perguntando coisas sobre a cidade dela, mas tão bêbada que arruinei qualquer chance de, finalmente, trepar com ela, a grande Maria Bethânia, encarnada ali naquela bartender.
A lembrança seguinte envolve Terça Nobre, a drag piadista, nós duas na rua, encostadas no meu carro, a Haddock sempre meio escura e deserta, ela ainda vestida a caráter, por assim dizer, e me beijando violentamente. Um peito meu estava pra fora da blusa, eu olhei pra isso, um peito solto no mundo, achei engraçado pacas, até perceber que aquele peito era meu, e então Terça Nobre se abaixou e começou a me chupar e no meio de todo aquele porre, caramba, eu senti tesão. Volta e meia eu empurrava Terça Nobre pro lado e vomitava na calçada. Ela limpava a minha boca com uma toalha saída sabe-se lá de onde.
Eu ficava falando qualquer coisa sobre ter de vender o carro, acho que cheguei a oferecê-lo pra Terça, que riu e agradeceu, mas não, não quis comprar, e, então, branco total.
Certo.
Deixe-me, agora, compartilhar com vocês esse momento sublime. É meio-dia. Eu (acho que) devia estar trabalhando. Mas não. Eu não estou trabalhando. Estou na minha cama, despertando. Uma enorme dor de cabeça. Como se tivessem aberto uma gaveta na minha testa, enchido essa gaveta com ferraduras, porcas, chaves de fenda, parafusos, rádios de pilha estragados, aparelhos de telefone detonados, e então fechado essa gaveta com toda a força, sabe? E, a todo momento, alguém abre essa gaveta à procura de alguma coisa que fatalmente não encontra e, não encontrando, volta a fechar a gaveta com toda a força. Abre, fecha. Na minha testa. Bem no meio. Então, noto a presença ao meu lado. A presença parece dormir. A presença está nua. A presença tem a maquiagem toda borrada. A presença tem um... pau. E o pau da presença está... duro. E eu me lembro. Não de tudo. Flashes.
Eu e a presença encostadas no meu carro, atracadas. Eu e a presença dentro do meu carro, a presença dirigindo e tentando entender onde eu dizia que morava e como chegar lá. Eu e a presença no elevador do meu prédio, atracadas. Eu e a presença na sala do meu apartamento, atracadas. Eu agarrada à privada, vomitando. Eu debaixo do chuveiro aberto, sendo apoiada pela presença. A presença me enxugando e depois me beijando outra vez a boca e os peitos. Eu segurando e rindo para o pau da presença, dizendo qualquer coisa como “Isso nunca foi a minha praia, sabe?”. Eu sendo chupada pela presença e, sim, gozando. Eu masturbando a presença mas me recusando terminantemente a abocanhar o pau dela. A presença, com todo o cuidado, me penetrando, dizendo “Não vai ser tão ruim, você vai ver”.
E só.
Terça Nobre, a presença, acorda logo em seguida e me procura. Quem sai na chuva etc. e tal. E, caramba, já que chegamos até aqui. E, caramba, eu preciso saber. E, caramba, me toca como se eu fosse desmanchar. “Só não me pede pra eu te chupar”, eu digo. E ela (ou ele) não pede. Terça Nobre, a presença, não pede.
Preciso vender o carro. O mais rápido possível. Sem condições.
Posted by augustaso at 16:39.
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